quinta-feira, 1 de maio de 2014

Canal do Youtube: As Quatro Estações

O canal do Youtube As Quatro Estações, cujos roteiros são escritos pela historiadora Regina Horta Duarte, da UFMG, contém materiais bastante diversificados sobre "as relações entre a sociedade e a natureza ao longo do tempo".

Pode ser interessante mostrar alguns deles aos alunos, seja na escola, seja em uma atividade para casa. Mas, independentemente disto, os vídeos podem ser úteis para os próprios professores.

Eis alguns exemplos:








Link para o canal: https://www.youtube.com/channel/UCEOC9XfCxfF6O08_TzqtgEA

História & Natureza, de Regina Horta Duarte
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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Atividade em grupo sobre Idade Média: Madeira, Ferro e Pedra

Leia o texto abaixo, adaptado de um trecho de A Civilização do Ocidente Medieval, de Jacques Le Goff, e responda as perguntas a respeito:

Madeira, Ferro e Pedra

A Idade Média é o mundo da madeira. Este era então o material universal. Muitas vezes uma madeira de qualidade medíocre, e ainda assim em peças de pequeno tamanho e mal trabalhadas, raramente encontrada em troncos de tamanho grande.

A madeira fornece ao Ocidente medieval um de seus principais produtos de exportação, já que no mundo muçulmano as árvores eram raras. A madeira foi a maior viajante da Idade Média ocidental, sendo também transportada sempre que possível na água (flutuando ou a bordo de navios).

Um outro produto de exportação para o Oriente é o ferro – mais exatamente, as espadas. A capacidade de fazê-la é uma herança dos bárbaros, cujas técnicas metalúrgicas originaram-se dos povos da Ásia central, terra dos metais. Mas aqui tratava-se de um produto de luxo. Ao contrário da madeira, o ferro era raro no Ocidente medieval.

O material que rivaliza com a madeira na Idade Média não é o ferro, mas a pedra. Por causa da sua raridade, o ferro fornece em geral apenas um pequeno complemento: pregos, ferragens, correntes que reforçam os muros...

Mas o tempo, que tudo idealiza, deixou visíveis a nós apenas as partes duráveis e fez desaparecer o perecível. E quase tudo era perecível. Assim, a Idade Média parece para nós uma gloriosa coleção de pedras das catedrais e dos castelos. Mas estas pedras representam apenas uma parte muito pequena do que existiu. Esta ilusão do tempo não nos deve enganar.
 
Adaptado de LE GOFF, Jacques. A Civilização do Ocidente Medieval. Bauru: EDUSC, 2005.

Destaque no texto, sublinhando e numerando:
  1. As relações comerciais entre o Ocidente medieval e o mundo islâmico.
  2. A origem das técnicas metalúrgicas utilizadas na Idade Média européia.
  3. O meio de transporte utilizado no transporte das madeiras.
  4. O produto mais utilizado na Idade Média, dentre os citados no texto.
  5. O produto mais lembrado pelas pessoas do nosso tempo, quando pensam em Idade Média.

O grupo deverá entregar um texto que responda as perguntas abaixo e desenvolva outras reflexões relacionadas a elas. Este texto se originará de uma troca de ideias entre os membros do grupo, tomando como ponto de partida o enunciado abaixo:

  1. O autor conclui o texto com a seguinte afirmação: “Esta ilusão do tempo não nos deve enganar”. A que ilusão ele se refere? Por que esta ilusão acontece? Quais outros exemplos poderíamos citar de casos em que “o tempo nos ilude”? Quais características das nossas sociedades contemporâneas podem vir a ser “ilusórias” para as pessoas do futuro?
*

Sugestão de leitura para o professor


 

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Texto e exercícios sobre a Primeira Guerra Mundial

Leia o texto abaixo, publicado por Luiz de Alencar Araripe no livro História das Guerras (organizado por Demétrio Magnoli. São Paulo: Contexto, 2006). Ele trata de algumas consequências da Primeira Guerra Mundial. Em seguida, responda as questões propostas.

[…] Durante a Guerra Franco-Prussiana morreram 250 mil, e na Guerra de Secessão americana, cerca de 420 mil. A Grande Guerra bateu todos os recordes de perdas humanas, girando as estimativas de mortos em combate em torno de 10 milhões. As seis maiores batalhas — a do Somme em primeiro lugar, com 1 milhão de mortos — respondem por mais de 30% do total de vítimas fatais em combate. O número de feridos foi a 20 milhões.
Os mortos da guerra estavam na faixa de 19 a 40 anos. A população envelheceu, a proporção de mulheres aumentou. A guerra deixou 630 mil viúvas na França e um número ainda maior na Alemanha. A mulher libertou-se: fora chamada a trabalhar nas fábricas e na agricultura e, quando terminou a guerra, não seria mais apenas “do lar”. Porém, são óbvias as conseqüências negativas da guerra sobre os índices de crescimento demográfico e de produtividade.

Na guerra, a cavalaria e a maior parte dos transportes era hipomóvel, e os cavalos — cuja proporção era de um para três homens, deram sua contribuição à morte e ao sofrimento. Ainda maior que a mortandade causada pela guerra foi a trazida pela gripe espanhola de 1917-18, pandemia que matou 20 milhões em 28 países, neles incluído o Brasil. Só no Rio de Janeiro, causou 17 mil óbitos. 

O serviço de saúde dos exércitos em campanha, excetuado o caso das forças americanas, foi extremamente precário, tendo sido enorme o número de feridos que poderiam ter escapado à morte. Entre os inválidos de guerra, destacam-se os multiamputados e os horríveis “gueule cassées”, os “caras quebradas”, cujo sofrimento foi minorado graças ao desenvolvimento da cirurgia plástica decorrente da Grande Guerra.

A Grande Guerra começou e desenvolveu-se com cada lado seguro de defender a boa causa e de que o inimigo era a encarnação do demônio. A propaganda encarregou-se de fortalecer e difundir esse pensamento. Assim, não há de se estranhar que tenha sido uma guerra total, com o emprego de todos os recursos para alcançar a vitória. Quando ela terminou, houve quem assegurasse ter sido a última — a “guerra para acabar com todas as guerras”, introdutora de uma paz justa e eterna. O Tratado de Versalhes tem sido culpado por, em lugar disso, ter lançado o germe da Segunda Guerra Mundial, devido ao rigor de suas cláusulas. Excessivo, para uns, insuficiente para outros. [...]

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Questões para organizar o raciocínio
1) Quais eram os países que compunham, respectivamente, a Tríplice Entente e a Tríplice Aliança?
2) Construa uma breve narrativa que explique a origem do conflito.

Questões ligadas ao texto
3) A batalha do Somme (1916), citada no texto como a mais sangrenta da Primeira Guerra Mundial, foi especialmente traumática pelos ingleses, que, ao atacar juntamente com os franceses, perderam um grande número de soldados em seus conflitos com os alemães. Os conflitos na "frente ocidental" ainda resultariam em poucos avanços, embora com muitas mortes, até o ano seguinte. Sobre isto, responda:
a) Os alemães também tinham tropas na frente russa. Explique os motivos desta estratégia adotada por eles.
b) Por que as trincheiras são um dos símbolos por meio dos quais atualmente nos remetemos à Primeira Guerra?
c) Como se deu a ruptura do equilíbrio em que as forças militares se encontravam em 1917?
d) Nesta batalha citada, a do Somme, como em várias outras, houve a participação de tropas como as da África do Sul e da Nova Zelândia. Como podemos relacionar esta afirmação com o processo do imperialismo, avançado pelos países europeus desde o século XIX?

4) Os direitos das mulheres foram conquistados, ao longo da História, por meio de lutas e reivindicações por parte de incontáveis agentes históricas. O texto menciona uma maneira pela qual a Primeira Guerra Mundial criou condições para que estas lutas ganhassem força. Qual é ela?

5) A Rússia saiu da guerra, em 1917, por conta de desdobramentos da Revolução Russa. Sobre ela, responda:
a) De que maneira os governos de Lvov e Kerensky, no poder graças à Revolução de Fevereiro, lidaram com a possibilidade de saída da Rússia do conflito? E o governo de Lênin, implantado após a Revolução de Outubro?
b) Caracterize o Tratado de Brest-Litovsk.

6) O texto caracteriza a Primeira Guerra como uma "guerra total". O que esta afirmação expressa?

7) Que tipo de críticas, segundo o texto, são usualmente voltadas ao Tratado de Versalhes? Demonstrando seus conhecimentos sobre o tratado, cite exemplos que possam embasar tais críticas. Por fim, explicite: você concorda, ou ao menos vê sentido, na ideia de que o tratado contribuiu para o surgimento de novos atritos, nos anos que o seguiram? Explique sua opinião.

Palavras cruzadas: Revolução Russa


Horizontal
2. Conselhos de trabalhadores, formados a partir de 1905, cujos líderes eram eleitos pelos colegas de fábrica; informavam e mobilizavam os trabalhadores.
5. Sigla: "Nova Política Econômica": por meio dela, após a Guerra Civil, Lênin buscou estimular a agricultura, combater a fome e se aproximar dos camponeses. Retomou alguns traços capitalistas.
7. ________  _______________  __: preencher, respectivamente, com o título do monarca absolutista derrubado em fevereiro de 1917; com o nome do mesmo; e com seu número referente à sucessão dinástica (exemplos: Rei Luís XIV, Imperador Pedro II. Não utilizar espaços).
9. "Guerra _____": conflito pelo controle da Coréia e da Manchúria, devido ao qual o czar Nicolau II perdeu popularidade. (Incluir hífen.)
10. Facção do Partido Operário liderada por Lênin. Significa "maioria". Em 1912, torna-se um partido próprio.
13. De 24 para 25 de outubro de 1917, foi tomado pelos bolcheviques. (Não utilizar espaços).
15. 15. Destacou-se em 1917; negociou o tratado de Brest-Litovsk, entre russos e alemães; liderou o Exército Vermelho; chegou a atuar entre os mencheviques; defendeu a ênfase na internacionalização da revolução. Morto no México, após ser expulso por Stálin.
16. Criada com o intuito de propagar a revolução comunista pelo mundo. Na Segunda Guerra Mundial, viria a ser o bloco rival do capitalista, este liderado pelos EUA. (Duas palavras, a primeira com cinco letras. Não utilizar espaços.) 
17. Enfrentou o Exército Vermelho entre 1918 e 1921, na Guerra Civil.

Vertical
1. Facção do Partido Operário liderada por Martov. Significa "minoria".
3. "Partido _____ Social-Democrata Russo": influenciado por Marx, defensor da revolução social.
4. "Revolução de _____": derrubou o czar e instituiu governo liderado por Lvov (depois por Kerensky); derrubado em outubro.
6. Parlamento; convocado em 1905 para elaborar uma constituição, foi suspenso pelo czar.
8. Título do governante russo até 1917.
11. Líder bolchevique, morto em 1924.
12. A partir de 1921, foi o único partido permitido na Rússia, sendo proibidas dissensões dentro do mesmo (iniciais).
14. Defensor da ênfase no "socialismo em um só país", inicialmente; governou Rússia entre 1929 e 1953.

   

Gabarito
Horizontal: (2) Sovietes; (5) NEP; (7) Czar Nicolau II; (9) Russo-japonesa; (10) Bolchevique; (13) Palácio de Inverno; (15) Trótski; (16) União Soviética; (17) Exército Branco.
Vertical: (1) Menchevique; (3) Operário; (4) Fevereiro; (6) Duma; (8) Czar; (11) Lênin; (12) PC; (14) Stálin

Observações
Você pode modificar as definições acima livremente. Já se quiser modificar as respostas ou o ordenamento das palavras, pode fazê-lo acessando o site http://www.crosswordpuzzlegames.com, que é onde eu crio estes jogos. (Depois de criá-los, dou um print screen, copio para o Paint, recorto a imagem do jogo, colo no Word junto com as respostas e monto num arquivo de uma folha para usar em sala como exercício.)

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Das cidades-estados gregas para os impérios helenísticos

Leia o texto abaixo, destacado do livro Grécia e Roma, do historiador e arqueólogo Pedro Paulo Funari. Baseie-se nele para responder as questões que seguem.

Das cidades-estados gregas para os impérios helenísticos

A luta entre Atenas e Esparta, conhecida como Guerra do Peloponeso, começou em 431 a.C., pouco antes da morte de Péricles em 429 a.C., e durou até 404 a.C., quando a derrota de Atenas iniciou um período de declínio das cidades gregas independentes.
A luta entre Atenas e Esparta foi o resultado da disputa pelo controle das cidades gregas e, mesmo após a derrota de Atenas, as guerras entre as cidades gregas continuaram a ocorrer, resultando no enfraquecimento das cidades e na ruína para camponeses e artesãos. Os exércitos passaram a ser recrutados, por isso, fora da cidade, sendo pagos como mercenários. Nesse contexto, as cidades gregas mantiveram suas disputas, até que Felipe da Macedônia começou a conquistá-las e seu filho Alexandre, o Grande, dominou não apenas toda a Grécia como venceu os persas e chegou até a Índia, estabelecendo um império imenso.

Alexandre, entre 336 e 323 a.C., além de conquistar esse império, fundou muitas cidades que tiveram seu nome, como é o caso da famosa Alexandria do Egito. Com a morte de Alexandre, seu império desintegrou-se, com monarquias na Macedônia, Egito e na Síria. Os Estados helenísticos fizeram com que as cidades perdessem sua independência, não tivessem mais exército ou política externa autônoma. As cidades-estados gregas, entretanto, continuaram a existir e cada uma delas manteve sua própria constituição e leis. Quando as monarquias helenísticas foram, gradativamente, sendo incorporadas ao domínio romano, a partir do século II a.C., as cidades gregas, ainda assim, continuaram a existir e a ter suas instituições, mas foram se modificando aos poucos. As cidades gregas tão orgulhosas de suas tradições, embora não tivessem mais total independência, mantinham uma fidelidade impressionante à sua cultura.

Responda as seguintes questões, com base no texto:

1) Qual foi, segundo o texto, a motivação da disputa entre Atenas e Esparta?
2) De que maneira o domínio macedônico sobre a Grécia foi facilitado pelas disputas internas de suas cidades-estados?
3) Caracterize política e culturalmente as cidades gregas após a morte de Alexandre.

Referência

FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. São Paulo: Contexto, 2007, pp. 73-74.

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sábado, 8 de junho de 2013

Exercícios sobre o vídeo "O perigo da história única", de Chimamanda Adichie

A tarefa consiste em solicitar que os alunos assistam em casa ao vídeo abaixo, intitulado "O perigo da história única", e, em seguida, respondam às questões propostas. Trata-se de uma palestra da escritora nigeriana Chimamanda Adichie.


Link: http://www.ted.com/talks/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html

Questões sobre o vídeo:

1) Sobre seus primeiros momentos nos Estados Unidos, Adichie conta: "Minha roommate tinha uma única história da África: a história da catástrofe. Nesta única história, não havia a possibilidade de africanos serem similares a ela de qualquer maneira, não havia a possibilidade de sentimentos mais complexos que a pena, não havia a possibilidade de nos conectarmos como humanos iguais". A visão que as pessoas próximos a você tem sobre a África se assemelha, de alguma forma, à visão da roommate de Adichie? Explique.

2) Adichie menciona uma visão tradicional que a literatura ocidental possui dos africanos. Qual é esta visão?

3) A escritora relata que, mesmo tendo percebido o equívoco da visão única sobre a África, ela também chegou a adotar, sem perceber, uma postura semelhante em relação aos imigrantes mexicanos. Em sua opinião, o que isto diz sobre a dificuldade em evitar a adoção de uma "história única" sobre um determinado povo? Você considera que esta dificuldade pode ser contornada? Se sim, como? Se não, por quê?

4) Adichie afirma que "é impossível falar de uma única história sem falar sobre poder". Qual é o argumento dela?

5) A escritora afirma que muitas histórias, e não uma só, foram parte da construção de sua identidade. Segundo ela, é um equívoco contar apenas as histórias negativas, pois eles criam estereótipos. Qual é, para Adichie, o problema dos estereótipos?

6) No final de sua fala, Adichie menciona algumas histórias positivas que poderiam ser contadas sobre a África, mas frequentemente não são. Cite três delas.

Anunciante


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Festas cívicas no Período Regencial (1831-1840)

Este texto é baseado em “Festas cívicas na corte regencial”, de Marcello Basile, com várias modificações para fins didáticos. Inseri, por exemplo, várias datas e observações, e reescrevi várias frases, para facilitar o acompanhamento por parte dos alunos. O ideal é que seja lido em sala, com intervenções pontuais do professor, e respondido em grupo.

Segue a atividade.

Atividade em grupo: Festas no Período Regencial (1831-1840)

Apresentação

Você já parou para pensar no significado dos feriados, nomes de ruas, hinos e bandeiras com os quais nos deparamos no dia-a-dia? Em quais deles você encontra referências à história do país? De que forma estes elementos históricos são apresentados? Qual será o objetivo disto? Discuta com os colegas suas impressões a respeito do assunto.

O historiador Marcello Basile escreveu um texto chamado “Festas cívicas na corte regencial”. Alguns dos seus argumentos são apresentados aqui. Pensar sobre eles pode nos ajudar a entender melhor este breve período entre a abdicação de D. Pedro I (em 07 de abril de 1831) e o “golpe da maioridade” que pôs D. Pedro II no poder (em 1840).

O texto menciona quatro importantes datas comemorativas do período. Tenha-as em mente durante a leitura: o 25 de Março (data em que foi feito, em 1824, o juramento da Constituição), o 7 de Abril (data em que, em 1831, ocorreu a abdicação de Pedro I), o 7 de Setembro (Independência, em 1822) e o 2 de Dezembro (nascimento de Pedro II, em 1825).

Texto

Momento mais conturbado da história do Brasil, o período regencial (1831-1840) foi igualmente marcado por intensas festividades cívicas.

Hinos, poesias e vivas eram bastante difundidos em todos os rituais cívicos. Jornais e panfletos publicavam estes hinos e poesias. Alguns eram anônimos, como o Hymno offerecido á Briosa Nação Brasileira por occasião do dia 7 de Abril de 1831. A maioria dos autores, porém, sentia-se envaidecida de assinar as obras. Um dos mais atuantes era o jovem Francisco de Paula Brito, que dedicou vários hinos e sonetos a tais ocasiões. Alguns temas apareciam com bastante frequência: da libertação da “escravidão política”, do combate à tirania, do dever de morrer pela salvação da pátria, do heroico patriotismo brasileiro, da união do povo, do respeito à Constituição, da lealdade à monarquia sob Pedro II, do destino grandioso da nação; como nos versos recitados por Paula Brito no Teatro Constitucional Fluminense, a 7 de setembro de 1831:

[...] Sim, o Povo Brasileiro
Preza a Lei, preza o razão [sic],
Adora a Constituição,
Como seu Ídolo primeiro.
Só detesta o cativeiro,
A quem jura fazer guerra.
Quem das Santas Leis aberra,
Quer nossa reincidência,
E pra bem da Independência
Corra o sangue pela terra.
[...] Temos estrita união;
Saiba o tirano Mandão,
Que um Povo livre não [se] pisa,
Quando ele tem por divisa
Morrer livre, escravo não.

Rebente embora o vulcão
Estoure a mina da guerra
Corra o sangue pela terra
Morrer livre, escravo não.

Já os “vivas” (ou seja, palavras de ordem que expressavam lealdades políticas) eram em geral puxados por alguém com destaque na multidão, que os repetia entusiasticamente. Os mais comuns conclamavam a “sagrada Constituição”, o “glorioso 7 de Abril”, a “majestosa Independência”, o “imperador constitucional”, etc. A ordem em que eram dados os vivas denotava a hierarquia de valores de quem os proclamava e a conveniência de cada circunstância. A omissão de algum desses “vivas”, a não-repetição pelo público ou um outro “viva” dado em resposta eram indicadores políticos importantes.

Do ponto de vista das intenções políticas, as festas cívicas regenciais, com seus rituais diversos e seu potencial mobilizador de sentimentos e indivíduos, eram, portanto, instrumentos de pedagogia política, utilizados pelo governo e seus partidários — os moderados — para legitimar o poder monárquico, fomentar os laços de união e de comunhão em torno da nação, conquistar a adesão da população e cultivar as virtudes cívicas nos limites da ordem celebrada.

Tais mensagens eram difundidas tanto nas festas, como nos relatos da imprensa. Ao noticiar os preparativos para o aniversário de nove anos da Independência (1822), o jornal Aurora Fluminense assinalava que o “7 de Setembro é o dia dos Brasileiros; nele pela primeira vez se escutou o grito da independência da pátria, e nos subtraímos ao jugo da antiga metrópole”. Já o 7 de Abril era lembrado pelo jornal O Independente, no seu primeiro aniversário, como o dia em que se operou “a nossa segunda regeneração política, não à maneira das outras revoluções, que a história nos apresenta escritas em caracteres de sangue; mas sim pela moderação, por império da razão e de uma civilização ilustrada”; por isso, o “mais brilhante dos nossos acontecimentos políticos” devia ser recordado e celebrado pela “grande família Brasileira” com um “tom uniforme”. Já o 25 de Março solenizava o “Símbolo de nossa união, no meio dos partidos”, pois a Constituição brasileira “encerra em si quanto é preciso para fazer efetiva a liberdade da população”. E, de modo semelhante, o 2 de Dezembro festejava o “penhor da unidade do Brasil, talvez de sua existência como Nação”.

Em torno dos ideais propagados de unidade, harmonia e consenso, simbolizados nos objetos de veneração cívica — a Independência, a Abdicação, a Constituição e o imperador —, construía-se uma memória nacional, que seria largamente reforçada no Segundo Reinado (1840-1889).

Nem tudo, porém, era festa. Tamanhas eram as divisões políticas e tantos eram os meios e a frequência com que estas ocorriam, que os festejos regenciais não poderiam ficar imunes às rivalidades e aos conflitos.

O problema começava já com os próprios homenageados. Todos eles suscitavam contrariedades ou constrangimentos, conforme o caso, em cada uma das três facções da política do período (os caramurus, os moderados e os exaltados). A Constituição jurada passou a representar, para além da bandeira do constitucionalismo, a oposição às reformas. Os caramurus, portanto, se identificavam com ela. Por outro lado, não empolgava os exaltados, que defensores de amplas mudanças constitucionais, ao mesmo tempo em que causava sério desconforto nos moderados, que não conseguiam equacionar bem seus princípios anti-reformistas e sua posição estratégica favorável às mudanças.

A Abdicação também gerava problemas. Esta comemoração era promovida por moderados e exaltados, mas, ao mesmo tempo, era objeto de eterno lamento para os caramurus, saudosos dos tempos de Pedro I; e de ressentimento ou até de arrependimento para alguns exaltados, excluídos do poder. O 2 de dezembro, nascimento de Pedro II, não tinha muito valor para os republicanos exaltados mais convictos e nem para os restauradores caramurus mais decididos. Até mesmo a Independência — personalizada nas figuras de Pedro I e do caramuru José Bonifácio — tornara-se controversa, trazendo inconveniências para moderados e exaltados.

Nenhum desses quatro temas, portanto, congregava plenamente as três facções políticas da Corte. E o fato de uma delas assumir a organização oficial dos festejos adicionava uma carga maior de rivalidade e descontentamento, fazendo com que eles ficassem bem distantes de seus ideais de união, harmonia e consenso.

Questões

1) Sublinhe no texto todas as palavras que você não conhece. Transcreva seu significado no caderno. Em seguida, releia o texto.
2) Caracterize os três principais grupos políticos do Período Regencial.
3) No texto, lemos os versos de Paula Brito recitados em 1831. Sobre eles, responda:
     a) Como o grupo interpreta a afirmação de que o povo brasileiro “adora a Constituição como seu Ídolo primeiro”, mas “detesta o cativeiro, a quem jura fazer guerra”?
     b) O sentido de “escravo” usado nesta letra não é o da escravização da mão-de-obra africana. Qual é ele, então? (Por exemplo, no verso “morrer livre, escravo não”.)
4) O que eram os "vivas"? Por que o texto afirma que a omissão de algum desses '“vivas”, a não-repetição pelo público ou outro “viva” dado em resposta eram indicadores políticos importantes"?
5) Explique, e exemplifique, a afirmação de que as festas cívicas eram "instrumentos de pedagogia política".
6) Por que o jornal O Independente afirmava que o 7 de Abril era “a nossa segunda regeneração política, não à maneira das outras revoluções, que a história nos apresenta escritas em caracteres de sangue; mas sim pela moderação...”?
7) Em certa parte, o texto afirma: “Nem tudo, porém, era festa. Tamanhas eram as divisões políticas e tantos eram os meios e a frequência com que estas ocorriam, que os festejos regenciais não poderiam ficar imunes às rivalidades e aos conflitos”. Sobre isto, responda:
     a) Por que os caramurus identificavam-se com o feriado de 25 de março (juramento da Constituição de 1824), enquanto não empolgava aos exaltados? E os moderados, como se posicionavam em relação a esta comemoração?
     b) Dos três grupos (caramurus, moderados e exaltados), qual deles tendia a não comemorar a Abdicação (07 de abril)?
     c) Segundo o último parágrafo do texto: quando um dos grupos assumia a organização de uma festa, como os demais tendiam a reagir?

Referência


Sugestão de leitura para o professor


    
Pequeno livro do historiador Marco Morel, que introduz com clareza e competência as principais características da sociedade brasileira no período regencial

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