terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O aluno como professor e uma apresentação teatral: duas atividades sobre o Brasil colônia baseadas no livro "Eles Formaram o Brasil"

Descrição geral

A atividade consiste em designar uma parte da explicação da matéria para cada aluno. O professor atua mediando, fazendo perguntas, esclarecendo algumas questões, direcionando os comentários, etc.

Esta trata do período colonial na América portuguesa. Pode ser desenvolvida ao longo do bimestre ou em um período de uma ou duas aulas, dependendo dos assuntos escolhidos pelo professor para a apresentação dos alunos.

Parte 1

O livro Eles Formaram o Brasil, de Fábio Pestana Ramos e Marcus Vinícius de Morais, trata da biografia de doze personagens do Brasil colonial: Caramuru, Isabel Dias, Manuel da Nóbrega, Branca Dias, Fernão Cabral Taíde, Raposo Tavares, Manuel Beckman, Maurício de Nassau, Gregório de Matos, Felipe dos Santos, Chica da Silva e o Marquês do Lavradio.

Não se trata, porém, daquelas biografias de caráter heroico, que mais atrapalham do que ajudam o ensino de História. São, antes disso, textos que buscam relacionar a vida do biografado com os contextos históricos de suas épocas, e que, portanto, podem ser muito úteis para que o aluno seja estimulado a relacionar algum episódio anedótico da vida do biografado com algum assunto mais amplo, como a expansão marítima, a atuação da Inquisição no Brasil ou a sociedade mineradora. (O livro, embora seja “de divulgação”, é uma leitura bastante agradável para o professor também.)

Cada capítulo de Eles Formaram o Brasil tem aproximadamente 10 pequenas seções internas, com mais ou menos uma página cada. O professor deve tirar uma xerox do capítulo (uma única, não uma para cada aluno) e distribuí-las dentre os alunos. Para montar o texto em uma única folha, ou em duas, talvez seja necessário recortar uma parte e anexar à próxima (uma alternativa é digitalizar o livro e reunir as partes no computador antes de imprimir). Não é tão trabalhoso quanto soa. Não esqueça de citar a origem do texto.

Na semana seguinte, os alunos serão chamados para contar para a turma sobre o que leram, como se fosse uma apresentação de trabalho mais informal. O professor pode também pedir apresentações sobre dois personagens por aula (assim, chamaria cerca de 20 alunos para apresentar), ou selecionar apenas alguns trechos de vários capítulos, ou dar cada trecho para que depois alunos apresentem em dupla. Não é necessário que todos os alunos participem de uma vez: a programação pode ser espalhada ao longo do bimestre, por exemplo. Em suma, há várias formas para proceder.

Distribuição dos tópicos

É possível distribuir os tópicos da seguinte maneira:

  • Caramuru e Isabel Dias: na aula sobre o período “pré-colonial” no Brasil
  • Manuel da Nóbrega, Branca Dias e Fernão Cabral Taíde: governo-geral, invasão francesa no Brasil e (se o recorte for “História Geral”) e reformas protestante e católica. Como as três figuras estão ligadas a temas religiosos, funciona bem que as apresentações sejam feitas em conjunto. O capítulo sobre Taíde também pode funcionar numa aula sobre a economia açucareira.
  • Raposo Tavares: bandeirantismo.
  • Manuel Beckman: sociedade açucareira (junto com Taíde), rebeliões na colônia, ou especificamente sobre a Revolta de Beckman.
  • Maurício de Nassau: o período holandês no Nordeste.
  • Gregório de Matos: o barroco na Bahia, cotidiano na colônia.
  • Felipe dos Santos: interiorização da colonização, descoberta do ouro, Guerra dos Emboabas, Revolta de Vila Rica.
  • Chica da Silva: escravidão, sociedade mineradora.
  • Marquês do Lavradio: reformas pombalinas.

Nem todas as biografias se sobrepõem exatamente com o tema, é claro. Alguns, além disso, serviram como retrospecção, outros como forma de introduzir a matéria seguinte.

Outras observações

  • É importante também dar um panorama tanto da biografia a ser narrada quanto do contexto com o qual ela será articulada, antes mesmo da leitura, especialmente para evitar confusão quanto a alguns trechos dos capítulos que não são 100% compreensíveis isoladamente.
  • A participação do professor é fundamental. É importante que ele esclareça sua intenção com a atividade (evitando, por exemplo, o enfoque excessivo na biografia, que, nesta atividade, é um meio e não um fim para a discussão da matéria) e que faça perguntas pertinentes com este objetivo. 
  • A atividade pode ou não valer pontos, mas o comprometimento dos alunos tenderá a variar com o quanto o próprio professor levá-la à sério. 
  • Ler o livro previamente é fundamental para já formular algumas perguntas. No meu caso, funcionou bem anotá-las no próprio livro (após fazer a cópia para distribuir para os alunos). Mas, apenas assistindo às apresentações e dialogando com o aluno, a atividade já flui bem.
  • Arrumar a sala em círculo é uma boa alternativa para evitar perda de tempo na troca dos apresentadores do trabalho.
Parte 2

Caso a escola disponha de recursos para que você exiba imagens durante a apresentação, você pode pedir para que os alunos interpretem também imagens acerca do tema de suas apresentações.

Parte 3: Apresentação teatral

Caso os alunos tenham acesso ao livro por outras formas (comprando-o, ou por meio de uma biblioteca), o professor pode dividir a turma em seis grupos e, ao longo de dois bimestres, fazer dois turnos de seis apresentações teatrais montadas pelos alunos, encenando os eventos narrados na vida das pessoas citadas.

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